“Ela já não aguentava mais aquela dor imensa, tudo estava desabando, suas lágrimas estavam querendo sair, mas ela segurava para que ninguém a visse chorando, pois ela não queria parecer fraca. Ninguém sabia, todos pensavam que ela era forte, decidida e tudo mais, e ela gostava de transmitir essa imagem para as pessoas, essa barreira, esse personagem forte que ela mesma criou para mostrar ao mundo, mas no fundo, no fundo, ela sabia que aquilo tudo não se passava de uma barreira para não se machucar mais, que no fundo doía e muito, que ela é fraca e chorava todas as noites […] ela não estava mais aguentando tanta dor acumulada no peito. Ela chegou em sua casa, trancou-se no banheiro, e no chão se encontrava chorando, ficou por lá muito tempo apenas chorando, mas ela já estava agoniada, pois aquela dor não ia embora, por mais que ela chorava, não ia embora. Então como de costume, pegou uma lâmina que estava em sua gaveta, por um breve momento ficou observando a lâmina enquanto a segurava, suas mãos estavam tremulas e as lágrimas ainda não paravam de sair, respirou fundo e colocou a lâmina sobre o seu pulso, pressionou a lâmina contra sua pele e lentamente passou a lâmina. O corte era profundo, sua mão e seu pulso estavam com muito sangue, e o chão com algumas gotas. Continuou fazendo o mesmo na perna e no braço. Por um breve momento ela não sentia mais aquela dor. Aqueles cortes doía, claro. Mas não doía tanto quanto a dor que ela estava sentindo por dentro. Já tinha se cansado de tudo (…) ela não sabia o quanto de pessoas se importavam com ela, então ela continuava, sempre com um sorriso no rosto. Quem a via caminhando por ai com um sorriso no rosto, nunca imaginava que ela se cortava e chorava todos os dias quando se encontrava sozinha no quarto ou no banheiro, apenas com um sorriso ela conseguia disfarçar e esconder tudo. Ela não revelava a ninguém que se cortava, ela era muito orgulhosa para admitir que era fraca e não confiava em ninguém o suficiente para pedir ajuda, mesmo sabendo que precisava.”
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